Enviei meu livro de poesia para uma editora - e agora?

Neste post eu te conto como foi uma parte do processo de organizar poesias em um livro e mandar para uma editora.

Sim, é isso mesmo. Acabei de enviar o original do meu livro de poesias para uma editora e preciso compartilhar tudo o que está passando pela minha cabeça agora.

Sinceramente, não faço ideia do que esperar. Acho que documentar essa experiência pode ser interessante tanto para mim quanto para quem também está nessa jornada de tentar publicar pela primeira vez, ou para quem simplesmente tem curiosidade sobre o processo. Afinal, quantas primeiras vezes temos na vida?

É uma mistura intensa de sentimentos: estou ansiosa, empolgada porque terminei um projeto maior do que qualquer post de rede social. Ao mesmo tempo, vem aquele medinho de ser rejeitada, sabe?

Quando você escreve só para você ou posta nas redes sociais, se alguém não gostar, tudo bem. A pessoa lê e não deixa uma curtida, ou nem lê, e você segue sua vida. Mas enviar para uma editora é diferente. É colocar seu trabalho de verdade na mesa e esperar que alguém profissional diga "isso aqui vale a pena". E se não valer? Enfim, vamos ver.

Mas antes de surtar completamente, deixa eu te contar como foi esse processo todo.

Eu também contei essa história no YouTube, que tal assistir?

Quem sou eu

Me chamo Giulia, sou uma mulher trans, comunicóloga com 12 anos de carreira, apaixonada por moda (inclusive tenho formação de personal stylist). E agora estou tentando publicar um livro de poesias.

Sempre tive uma baita dificuldade com sonhos. Na minha vida, tive que lutar mais pelo aqui e agora do que pelo amanhã. Mas cheguei num ponto em que consigo pincelar alguns sonhos aqui e acolá e, do nada, uma vontade de escrever surgiu forte no final do ano passado. E ela veio em formato de poemas!

De lá para cá, já escrevi uma cacetada de poemas. Uns que gosto muito, uns bem medianos e, provavelmente, a maioria é bem ruinzinha.

Por que escrever poesia?

O processo de escrever tem me motivado a buscar outras coisas para minha vida, como viver de forma mais tranquila, mais simples. Não sei explicar muito bem, mas vivemos numa alucinação frenética e, de repente, eu paro, nem que seja por quinze minutinhos, e começo a rabiscar umas palavras num caderninho. Aí a mente se acalma enquanto tudo flui da mão para o papel.

Eu meio que mergulho dentro de mim mesma, revisito memórias (algumas boas, outras nem tanto), mas transformo elas em algo que pode mudar a visão de mundo de alguém. Ou, pelo menos, servir para esvaziar a cabeça.

Na boa? Não faço ideia se estou mandando bem.

Comecei a ler mais livros de poesia, tipo "O que o sol faz com as flores", de Rupi Kaur, e "A voz da sereia volta neste livro", de Amanda Lovelace. Sinto tanta verdade nas palavras delas que entendi que talvez seja sobre isso: ser verdadeira com o que se escreve.

Nos últimos dois meses, devo ter escrito uns 100 poemas. Não tenho ideia se isso é muito ou pouco, e acho que nem é a questão. Só tem sido uma experiência ótima para mim e minha saúde mental.

O chamado da editora

Foi no meio disso tudo que vi o post da editora (que ainda não vou revelar o nome) abrindo chamado para envio de originais de vários gêneros, incluindo poesia. Só que o tempo era curtinho.

Tive menos de um mês para pensar em poesias numa estrutura de livro.

De alguma maneira, entendi que 48 poemas era um bom número para um primeiro livro, mas eles precisariam se conectar de alguma forma. E, até então, eu só estava escrevendo sobre o que me vinha à mente.

Parei um tempo, tirei umas horinhas para reler o que já tinha escrito e entendi que minha grande verdade ali era que eu queria fazer com que as pessoas se sentissem menos sozinhas no seu próprio corpo. Isso vem muito do fato de eu ser uma mulher transgênero e apaixonada por moda. Faz sentido?

Reler com atenção o que eu tinha escrito até então foi a faísca que eu precisava para focar a escrita em um livro que trate de várias temáticas, mas com poemas que tenham um mesmo fio condutor.

Logo em seguida, veio a ideia do título do livro, que vou reservar o direito de ainda não revelar. Não é que eu quero fazer mistério. É que, antes de mais nada, quero entender se vou receber um sim ou um não da editora, como vou me sentir em relação a isso e aí sim planejar as próximas etapas, seja lançamento com uma editora ou autopublicação mesmo.

A estrutura do livro

Com o tema e título na mente, surgiu outra grande questão: como não ser repetitiva na escrita? Essa foi uma das partes mais difíceis do processo todo.

Não fiz um baita planejamento de escrita, nem saberia fazer isso por enquanto (quem sabe nos próximos livros?). Olhei para minha própria história. Já que ia escrever sobre minhas verdades, nada melhor do que navegar nesse mar profundo que é nossa própria mente.

Foi muito clara a divisão da minha vida em três partes que se aplicaria ao livro e daria temperos especiais a cada poema, mesmo mantendo o fio condutor em comum.

Primeira parte - "Começo": escrevi poesias que introduzem o assunto-chave do meu livro (como é ser um corpo de mulher e trans na nossa sociedade do ponto de vista de uma mulher trans), somados a poemas que retratam minha infância enquanto pessoa que não entendia o que acontecia comigo, apesar de hoje isso ser tudo tão claro.

Segunda parte - "Antes": talvez a mais intensa e confusa, já que retrata uma vida adulta, com uma busca de consciência do mundo lá fora e total abandono do mundo aqui dentro, até que eu entendo a importância de olhar para nossa cabeça (sim, façam terapia!). Nessa parte, conto como comecei a entender que sou uma mulher trans e relato experiências pessoais que vivi nesse processo que foi muito difícil, por autojulgamento, preconceitos internos e muito, muito medo, tanto do mundo que vivemos quanto de acreditar que eu nunca seria como eu gostaria de ser. Essa segunda parte acaba com meu poema favorito de todos que escrevi até agora, chamado "Prazer, Giulia". De novo, não sei se ele é bom ou ruim. Ele fala da minha mudança de nome, quando finalmente assumi esse nome que tanto me representa.

Terceira parte - "Depois": retrata experiências e reflexões que vieram logo em seguida da minha transição. As sensações de disforia de gênero, medo de violência e até coisas simples como as cores de esmalte que escolhemos, todas estão representadas nessa última parte do livro.

E agora?

Olha, sendo muito sincera aqui: não sei se isso vai durar muito tempo, seja minha vontade de escrever poesias ou mesmo esse projeto. Às vezes, na minha vida, eu começo umas coisas e paro. Mas já fazem algumas semanas que estou nessa jornada e me sinto muito bem.

Bom, agora é a parte mais difícil: esperar.

Pelo que a editora diz, o retorno pode levar até 90 dias e acho que eles só respondem se for positivo, então se não quiserem publicar, será um silêncio absoluto. Tenso.

Enquanto isso, não vou ficar parada. Continuo escrevendo um pouco todo dia, porque isso está me fazendo bem independente de publicar ou não.

Já estou tocando uma alternativa que é manter um tipo de assinatura de poesias no meu site. Funciona assim: por 1 real por mês, você recebe 1 novo poema por semana em sua caixa de entrada, isso mesmo, no e-mail. Esses poemas da assinatura são inéditos e eu os seleciono à parte dos que estarão no livro ou mesmo dos que posto em outros lugares.

O que aprendi com isso tudo

Sabe o que mais me marca nisso tudo? É perceber que o processo de criar o livro já valeu a pena por si só. Independente da resposta da editora, eu já ganhei muita coisa: autoconhecimento, uma forma de lidar com a ansiedade, um projeto que é meu.

E se você está pensando em fazer algo parecido (seja escrever, pintar, criar qualquer coisa), meu conselho é: não espere o momento perfeito. Eu não esperei estar "pronta" para começar a escrever. Só comecei. E isso me levou a tentar publicar e ainda compartilhar essa história!

Vou continuar atualizando sobre esse processo. Se vier um sim, vocês vão saber. Se vier um não, também. E aí a gente vê o que fazer.

E você? Tem algum projeto criativo parado? O que está te impedindo de começar ou retomar? Me conta aqui nos comentários. Vamos conversar sobre isso.

Leia mais!

Obrigadinha por ler meu texto 💕

Se você gostou e quer receber semanalmente um poema novo na sua caixa de entrada, inscreva-se no plano "Divônica" por R$ 1,00/mês (isso mesmo, 1 real por mês). Se você só quer se conectar um pouquinho mais comigo, inscreva-se no plano gratuito.

INSCREVA-SE

Beijinhos,
Giulia

Subscribe to giulia | poetisa trans

Don’t miss out on the latest issues. Sign up now to get access to the library of members-only issues.
jamie@example.com
Subscribe