Não nos querem aqui, mas estamos
Um poema sobre existência, resistência e visibilidade de pessoas transgênero no Brasil.
Este poema é um tiquinho diferente dos que costumo escrever - não que ele trate de assuntos distantes, mas ele é mais sério. Não é só meu, é nosso - da comunidade trans.
É sobre estar viva quando estatisticamente eu não deveria estar. Dandara dos Santos foi espancada até a morte. Laysa foi morta a tiros. Ágatha, Mirella, Emanuelle, Wilka - nomes que deveriam estar aqui, escrevendo suas próprias histórias, mas só por serem quem são, tiraram elas de nós.
Mas também tem as que estão vivas: Vicky, Lua, Gabriela, Niodara, Noah, Rafa, Iza, Érika, Liniker, eu. Pessoas trans criando, existindo, resistindo. Cada dia vivido é um ato político.
Escrevi este poema pensando no Dia da Visibilidade Trans (29 de janeiro), quando pensei: "não era pra eu estar aqui". Mas estou. E enquanto eu estiver, vou escrever, vou nos tornar visíveis. Por mim. Por elas. Por nós.